O crochê é daquelas artes que se aprende com agulha na mão: ninguém pega o ponto baixo lendo sobre ele. O que o celular faz — e faz muito bem — é encurtar o caminho entre a dúvida e a resposta. Dá para ver o movimento em vídeo, seguir uma receita organizada por carreira, contar pontos sem perder a conta e guardar tudo o que você já produziu.
Nesta lista você encontra cinco aplicativos publicados na Google Play, conferidos um a um, com o link da ficha oficial de cada um. Explicamos o que cada aplicativo realmente entrega, para qual momento do aprendizado ele serve e quais são as condições — inclusive quando o conteúdo é pago.
O que um aplicativo de crochê resolve (e o que não resolve)
Os aplicativos de crochê se dividem, na prática, em três funções. Os de receita trazem gráficos e passo a passo de peças. Os de apoio contam carreiras, guardam o estoque de linhas e organizam projetos. E os de revista publicam edições completas com projetos autorais.
Nenhum deles ensina o ponto pela sua mão nem substitui a repetição. E “gratuito” na loja quase sempre quer dizer instalação gratuita: parte do acervo pode estar em anúncios, assinatura ou compra avulsa. Isso aparece sempre na ficha do aplicativo na Google Play, antes da instalação.
5 aplicativos para aprender crochê pelo celular
Instale sempre pela loja oficial do seu aparelho. O botão de cada card abaixo leva direto para a ficha do aplicativo na Google Play.
Love Círculo
Aplicativo oficial da Círculo, fabricante brasileira de linhas e barbantes. É a melhor porta de entrada para quem quer conteúdo em português: traz receitas de crochê e tricô, catálogo de fios com as cores reais e uma área para organizar o estoque de linhas que você tem em casa.
Como as receitas indicam o fio, a agulha e a quantidade certa, fica muito mais fácil calcular o que comprar antes de começar a peça — e menos comum sobrar meio novelo perdido na gaveta. O aplicativo é gratuito.
Love Círculo
AndroidRibblr – Crochet & Knitting
O Ribblr traz um formato de receita interativa: em vez de um PDF corrido, cada carreira vira uma etapa que você marca conforme avança, com o contador embutido. Para projetos longos, isso reduz muito a chance de se perder no meio do gráfico.
A plataforma tem receitas gratuitas e receitas pagas vendidas por designers independentes — a maior parte do catálogo está em inglês. Também existe uma comunidade onde dá para acompanhar projetos de outras pessoas e, se você criar suas próprias receitas, vendê-las.
Ribblr - Crochet & Knitting
AndroidAmigurumi Padrão Tutoriais
Amigurumi é o crochê em três dimensões: bonecos, bichinhos e chaveiros feitos em carreiras contínuas. Este aplicativo reúne tutoriais e padrões voltados especificamente para esse estilo, com o desenho das partes e a montagem final explicada.
É indicado para quem já domina ponto baixo, aumento e diminuição — o amigurumi depende desses três. A instalação é gratuita e o aplicativo é mantido por anúncios.
Amigurumi Padrão Tutoriais
AndroidKnitting and Crochet Buddy
Este é o aplicativo de apoio da lista. Ele funciona como contador de carreiras e de repetições, guarda quais agulhas você tem, registra o estoque de linhas e acompanha o andamento de cada projeto — tudo sincronizado na nuvem.
Quem já perdeu a conta na metade de uma manta sabe o valor disso. Ele não ensina pontos: é uma ferramenta de organização, e é assim que deve ser usado. Interface em inglês, com versão gratuita e recursos pagos.
Knitting and Crochet Buddy
AndroidCrochet Now
Aplicativo oficial de uma revista britânica dedicada ao crochê. Cada edição traz projetos autorais completos, com lista de materiais, gráfico, escrita carreira a carreira e fotos do resultado.
A condição aqui precisa estar clara: o aplicativo é gratuito para instalar, mas as edições são compradas avulsas ou por assinatura dentro dele, e o conteúdo é em inglês. Vale para quem quer projetos bem diagramados e gosta de acompanhar tendências de fora.
Crochet Now
AndroidPor onde começar se você nunca pegou na agulha
A ordem que funciona é sempre a mesma: corrente, ponto baixo, ponto alto, aumento e diminuição. Com esses cinco você já consegue fazer uma bolsa simples, uma cesta ou um porta-copos. Só depois vale partir para peças com gráfico complexo.
Comece com barbante ou fio mais grosso e agulha compatível: o ponto fica visível e fica fácil identificar o erro. Fio fino com agulha fina é bonito, mas esconde a estrutura e atrapalha quem está aprendendo. E use o contador do aplicativo desde a primeira peça — é o hábito que mais evita retrabalho.

Perguntas frequentes
Esses aplicativos dão certificado de curso?
Não. São aplicativos de receita, apoio e revista. Eles ajudam a aprender e a organizar, mas não emitem certificação. Para isso, procure cursos presenciais ou plataformas de ensino com emissão de certificado.
Todo o conteúdo é gratuito?
Não. Todos podem ser instalados sem pagar, mas Ribblr tem receitas pagas e o Crochet Now vende as edições dentro do aplicativo. Love Círculo e o app de amigurumi oferecem conteúdo gratuito, este último com anúncios.
Existe algum em português?
Sim. O Love Círculo é brasileiro e traz receitas e catálogo de fios em português — é o mais indicado para quem está começando e prefere conteúdo no nosso idioma.
Conclusão
Os cinco aplicativos desta lista existem, estão publicados na Google Play e cobrem etapas diferentes: receita em português para começar, receita interativa para não se perder, padrões de amigurumi para quem já pegou o jeito, contador para organizar e revista para projetos autorais.
Se quiser continuar, veja também nossa seleção de aplicativos para aprender crochê de maneira prática. Escolha um, faça uma peça pequena até o fim e só então aumente a dificuldade — é assim que a mão firma.
Como usar na prática
- Complemente com conteúdo real. Depois das primeiras semanas, misture música, série e leitura no idioma — é o que o aplicativo sozinho não entrega.
- Baixe as lições para o transporte. Quando o aplicativo permitir, deixe o conteúdo pronto no Wi-Fi.
- Reserve um horário fixo e curto. De 15 a 20 minutos por dia rendem mais que duas horas no domingo, porque a repetição espaçada é o que fixa.
- Defina o objetivo antes de escolher. Conversação, prova ou vocabulário pedem aplicativos diferentes. Escolher pelo objetivo evita abandonar na segunda semana.
O que dá errado com mais frequência
- Pagar o plano anual antes de firmar o hábito.
- Confundir sequência de dias com aprendizado — a gamificação mede constância, não domínio.
- Trocar de aplicativo toda semana e recomeçar do zero sempre.
- Estudar só reconhecimento e nunca produzir — sem falar e escrever, a fluência não vem.
Antes de instalar: o que já está no aparelho
O tradutor do Google e o do próprio sistema funcionam offline depois de baixar o idioma, e traduzem por câmera e por conversa em tempo real. Para tirar dúvida pontual durante o estudo, resolve sem instalar mais nada.
Agulha, fio e a numeração que confunde todo mundo
Antes da primeira carreira vem a escolha do material, e é aí que muita gente desiste sem entender o motivo. A regra central: a espessura da agulha precisa combinar com a espessura do fio.
Agulhas de crochê são numeradas em milímetros — 2,5 mm, 3 mm, 4 mm, 5 mm — e a numeração aumenta conforme a agulha engrossa. Existe ainda uma numeração antiga, herdada de outros países, em que números maiores indicam agulhas mais finas, o que gera confusão em receitas traduzidas. Na dúvida, use a medida em milímetros, que é universal.
Referências práticas para começar:
- Fio de algodão médio, tipo barbante fino, combina bem com agulha entre 2,5 mm e 3,5 mm.
- Barbante comum, usado em tapetes e bolsas, pede agulha de 4 mm a 6 mm.
- Lã média funciona bem entre 4 mm e 5 mm.
- Linha muito fina, de toalhinhas e barrados, exige agulhas abaixo de 2 mm.
Duas dicas que evitam frustração inicial: a etiqueta do fio quase sempre traz a agulha recomendada, e vale seguir; e para quem está aprendendo, fio de algodão de cor clara e espessura média é o mais fácil, porque os pontos ficam visíveis e o fio não desfia com facilidade. Fio preto, peludo ou brilhante é o pior material para iniciante — os pontos somem.
Amostra e tensão: por que a sua peça sai de outro tamanho
Você seguiu a receita ponto por ponto e a peça ficou maior ou menor que o esperado. O motivo tem nome: tensão.
Tensão é quanto você aperta o fio ao trabalhar, e ela varia de pessoa para pessoa. Duas crocheteiras usando o mesmo fio e a mesma agulha produzem peças de tamanhos diferentes. Por isso boa parte das receitas indica uma amostra — algo como “10 x 10 cm equivalem a 16 pontos e 8 carreiras”.
Como usar essa informação:
- Faça um quadrado de teste, um pouco maior que 10 cm, com o fio e a agulha da receita.
- Meça no centro do quadrado, nunca nas bordas, que sempre ficam irregulares.
- Se você fez mais pontos que o indicado em 10 cm, sua tensão está apertada: use uma agulha mais grossa.
- Se fez menos pontos, sua tensão está frouxa: use uma agulha mais fina.
Parece perda de tempo e economiza horas. Uma blusa inteira feita com tensão errada não tem conserto. Para amigurumi vale o inverso do costume: a tensão deve ser bem apertada, com agulha mais fina do que a etiqueta indica, para que o enchimento não apareça entre os pontos.
Ler receita: abreviações e a diferença entre padrões
Receitas de crochê são escritas em código, e o mesmo nome designa pontos diferentes conforme o país. Essa é a maior armadilha para quem segue receitas traduzidas ou vídeos estrangeiros.
No padrão brasileiro, os pontos básicos são:
- corr — corrente
- pbx — ponto baixo
- pbxx — ponto baixíssimo
- pa — ponto alto
- pmi — ponto meio alto
- pad — ponto alto duplo
O problema: o padrão americano nomeia os pontos com um deslocamento. O que lá é chamado de “single crochet” corresponde ao nosso ponto baixo, e o “double crochet” corresponde ao nosso ponto alto. Traduzir literalmente “double” como “duplo” produz uma peça completamente diferente. Antes de seguir uma receita estrangeira, confirme qual padrão ela usa — boas receitas informam isso logo no início.
Vale ainda entender três convenções: números entre parênteses ou colchetes costumam indicar repetições ou a contagem de pontos ao fim da carreira; asteriscos delimitam o trecho a ser repetido; e “aum” e “dim” indicam aumento e diminuição, que são o que dá forma tridimensional à peça.
Sobre gráficos: eles usam símbolos padronizados para cada ponto e são lidos do centro para fora, em peças circulares, ou de baixo para cima, alternando o sentido a cada carreira. Aprender a ler gráfico abre o acesso a um acervo enorme de receitas antigas e estrangeiras, porque o símbolo não depende de idioma.
Contar carreiras e não perder o trabalho
O erro mais comum de iniciante não é fazer o ponto errado. É perder a conta.
Práticas que resolvem:
- Marcador de ponto. Um anel plástico, um clipe ou um pedaço de fio de cor diferente marcando o início da carreira. Em trabalho circular, ele é indispensável — sem marcador, ninguém acha onde a volta começou.
- Conte ao fim de cada carreira, não a cada dez. Descobrir o erro na carreira seguinte custa dois minutos; descobrir dez carreiras depois custa a tarde.
- Use o contador do celular. Um contador simples, tocado a cada carreira concluída, evita depender da memória. Vários aplicativos de tricô e crochê têm essa função, e o contador do próprio sistema serve.
- Fotografe o trabalho ao parar. Ao retomar dias depois, a foto mostra em que ponto você estava.
- Anote a agulha e o fio usados junto com o projeto. Retomar uma peça e não lembrar qual agulha era gera diferença visível de tensão no meio.
- Desmanchar faz parte. Crochê desmancha limpo, diferente do tricô. Voltar duas carreiras é normal e rápido.
Vender o que você faz: o que a lei protege
Muita gente aprende crochê pensando em renda extra, e surge sempre a mesma dúvida: posso vender uma peça feita a partir da receita de outra pessoa?
A distinção que a legislação de direito autoral faz é entre a obra escrita e o objeto produzido. O texto da receita, as fotos, o gráfico e o vídeo são obras protegidas: copiar, redistribuir, revender ou publicar como se fosse seu é violação. Já a peça física, feita por você com seu material e seu trabalho, é outro objeto.
Na prática:
- Não republique a receita, nem em grupo, nem traduzida, nem “adaptada” com pequenas mudanças.
- Leia os termos do designer. Muitos autores de receitas autorizam expressamente a venda das peças produzidas, às vezes pedindo crédito. Outros restringem a produção em escala. Está escrito na própria receita, e respeitar isso é o mínimo.
- Não use as fotos do autor para anunciar suas peças. Fotografe as suas.
- Cuidado com personagens. Amigurumis de personagens de desenho, filme ou jogo envolvem direito autoral e marca dos titulares, independentemente de você ter criado o molde.
Para quem vai vender, dois cuidados adicionais: precifique somando material, horas de trabalho e uma margem — a maior parte das artesãs cobra abaixo do custo real do próprio tempo — e informe ao cliente a composição do fio e as instruções de lavagem. Peça de algodão encolhe e peça de acrílico deforma no ferro quente, e essa informação evita reclamação depois.
